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INSTRUMENTAÇÃO
CONHECIMENTO DAS CARACTERÍSTICAS E UTILIZAÇÃO DOS INSTRUMENTOS ACÚSTICOS


O estudo da instrumentação é extensivo e descritivo, pois compreende um vasto conjunto de referências sobre as características dos instrumentos musicais. A Instrumentação é uma ferramenta que pode ser aplicada em diferentes contextos: Música Sinfônica, Camerística e Popular. O conhecimento dos instrumentos musicais e das suas propriedades sonoras, dentro de cada um destes contextos, é uma tarefa exaustiva. Portanto, o conteúdo desta aula deve servir de referência para consultas futuras. As tessituras de cada instrumento, a sonoridade em diferentes registros, notas que apresentam dificuldades para serem executadas entre outros, são alguns dos aspectos que devem ser reiterados constantemente. Conhecer a identidade sonora de cada instrumento é o ponto culminante deste estudo.

A estratégia usada para esta aula foi criar um hipertexto para relacionar Famílias Instrumentais com Conjuntos Instrumentais, discutir aspectos da Acústica dos Intrumentos e propor Exercícios. O uso do hipertexto facilita o estudo e a consulta, pois diversas características instrumentais se repetem e podem ser apresentadas em níveis hierárquicos. Assim, o aluno terá uma visão global e relacional da Instrumentação.

Primeiramente, apresentamos as Famílias Instrumentais como sendo Voz Humana, Cordas, Sopros,Percussão e Complementar. A voz humana é a família instrumental mais antiga. As três famílias centrais são tradicionalmente vinculadas a orquestra e já eram citadas no tratado de orquestração de RIMSKY-KORSAKOV como Arcos, Sopros, sub-divididos em Madeiras e Metais, e Percussão. KOECHLIN, no seu Traité de L´Orchestration, faz uma apresentação extensiva em dois volumes das famílias instrumentais. Ele apresenta os instrumentos diretamente vinculados a disposição na orquestra sinfônica subdivididos em naipes de Arcos, Madeiras, Metais, Percussão, Voz Humana, Instrumentos de Teclado e Diversos.

Na rica família da percussão, procuramos apresentar o maior número possível de instrumentos tendo em vista o crescente interesse da composição contemporânea nesta área.  Como apontado por BRINDLE, a "importância dos instrumentos de percussão tem aumentado radicalmente". Neste sentido o grupo de percussão de Strasbourg, que surgiu na década de 60, tornou-se uma referência mundial pela variedade de instrumentos usados e pelo virtuosismo de seus músicos. Adotamos a nomenclatura de BRINDLE para classificar os instrumentos de percussão em Idiofônicos, Membrafônicos, Cordofônicos e Aerofônicos. Dentro de cada um destes grupos acrescenta-se três sub-divisões, a saber: instrumentos de altura definida, de altura indefinida e de altura indefinida que eventualmente podem ser afinados.

Acrescentamos também uma nova família denominada de Família Complementar como fez BLATTER que usa a denominação "other instruments^(outros instrumentos) ou como PISTON que apresenta "Keyboard Instruments"  (Teclados) separados dos instrumentos de percussão.Para certos instrumentos, como por exemplo o Piano, há uma certa ambiguidade dependendo do autor consultado. Portanto, tais instrumentos podem aparecer na Família da Percussão e/ou na Família Complementar dentro da classificação deTeclados. Acrescentamos outros instrumentos nesta família como flautas de bocal, instrumentos de palheta livre, amplificados, eletrônicos e digitais como sintetizadores e controladores MIDI.

Para cada Família Instrumental são abordados aspectos técnicos relativos a tessitura, sonoridade em diferentes registros, notação para cada instrumento e sinais gráficos de expressão.  É particularmente útil o uso de tabelas, como apresentado por BOZZA e JACHINO, que sintetizam as características dos instrumentos. Estas tabelas são uma ferramenta para consulta rápida durante o processo de composição.

Em Conjuntos Instrumentais, seguindo a abordagem de BLATTER, apresentamos alguns grupos e os instrumentos constitutivos dos mesmos. Esta seção foi ampliada para conjuntos pertencentes à Música Popular, pois DELAMONT e DE ULIERTE ampliam a discussão de BLATTER no campo dos naipes de sax, metais agudos e graves usados em conjuntos como a Big Band entre outros.

O estudo do  Desenvolvimento e Acústica dos Instrumentos está diretamente relacionado a esta aula, todavia envolve um esforço do aluno no entendimento de conceitos derivados da Física e da Matemática, e pode ser visto separadamente. Do ponto de vista histórico, FORSYTH apresenta cada família instrumental precedida de informações sobre o desenvolvimento dos instrumentos que a constituem. Uma introdução à Acústica é dada em PIERCE que pode ser complementada com o trabalho clássico de JEANS. Dentro da vertente tecnológica o aparecimento de instrumentos eletrônicos no  século XX, esta criando a necessidade de aparecimento de uma nova Família Instrumental. Desde o Theremin, criado 1902 a interação entre o gesto humano e o som tem sido alvo de estudo. Dentre as muitas configurações da música do século XX, destacamos a composição de música eletroacústica mista vinculada ao desenvolvimento de novas interfaces musicias. O surgimento de dispositivos eletrônicos com larga escala de integração, possibilitaram o aparecimento de novos instrumentos e o uso de sensores para criar interfaces entre o movimento e o som. Trabalhos recentes de pesquisa na Fundação Steim, no MediaLab e no IRCAM são exemplos de pesquisa e desenvolvimento nesta área. Essa inovação tecnológica também está vinculada à pesquisa em Interfaces Gestuais que realizamos no NICS onde  diversos dispositivos são estudados como: sensores ultrasônicos, infra-vermelho e o robô Khepera para criar o aplicativo Roboser.

Finalmente, os Excercícios apresentados procuram reforçar a taxonomia dos instrumentos e incentivar o aluno a usar a homepage para referência e consulta. Há uma seção de Referências Bibliograficas e consulta na Internet.