Núcleo Interdisciplinar de Comunicação Sonora

Categorias
Eventos Notícias Seminário

Seminários NICS recebem Felipe S. Abrahão para discutir o papel do observador em fenômenos emergentes

O Núcleo Interdisciplinar de Comunicação Sonora (NICS) da Unicamp realiza, na quarta-feira, 04 de março, às 10h, mais uma edição do ciclo Seminários NICS – primeira quarta-feira do mês. O encontro acontecerá na sede do NICS (Rua da Reitoria, 165 – Unicamp) e contará com a participação de Felipe S. Abrahão (CLE/Unicamp).

Com o título “O papel do observador nas teorias formais para fenômenos emergentes e a experiência subjetiva computacional”, o seminário propõe uma reflexão sobre os conceitos de emergência, informação e computação no contexto dos sistemas complexos e dos limites das teorias matemáticas e científicas.

A apresentação aborda a formalização da emergência por meio da informação algorítmica, entendida como uma classe de equivalência de valores de complexidade. Essa classe opera dentro de um intervalo que inclui uma constante dependente da escolha do observador, evidenciando que a medição de transformações e comportamentos emergentes está necessariamente vinculada às ferramentas formais utilizadas.

Embora métodos estatísticos e medidas baseadas em entropia sejam amplamente empregados para avaliar processos estocásticos, o seminário destaca seus limites: tais métodos podem atribuir, de forma equivocada, natureza aleatória a padrões computáveis e não periódicos que apresentam alta complexidade estatística, mas baixa complexidade algorítmica.

A proposta central da conferência é compreender o ato de observar como um processo de perturbações algorítmicas mútuas entre o sistema observado e o sistema observador formal. Nesse quadro teórico, o observador desempenha papel decisivo na definição do que é considerado emergente. Um fenômeno pode parecer emergente para um observador e deixar de sê-lo para outro, dotado de uma teoria formal mais poderosa — uma limitação epistemológica que surge do próprio desenrolar de processos reais, sejam abstratos ou naturais.

Por fim, o seminário estabelece uma conexão entre esses conceitos e a noção de experiência subjetiva computacional. A subjetividade é apresentada como um algoritmo que recebe o sujeito — compreendido como software — como entrada e produz uma versão transformada de si mesmo, delineando a ideia de subjetividade como software em mutação.

Sobre o palestrante

Felipe S. Abrahão é pós-doutorando no Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE) da Unicamp, com apoio da FAPESP e supervisão de Itala M. Loffredo D’Ottaviano. Anteriormente, realizou pesquisa de pós-doutorado na Oxford Immune Algorithmics (OIA), vinculada à Oxford University Innovation, na Universidade de Oxford, Reino Unido.

É pesquisador associado no Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), onde ocupou cargo de pós-doutorado até 2021, e desenvolveu pesquisas no Algorithmic Dynamics Lab at the Center of Molecular Medicine (Karolinska Institutet, Suécia e King’s College London, Reino Unido) e no Algorithmic Nature Group do LABORES for the Natural and Digital Sciences, França.

Seus interesses de pesquisa concentram-se nas limitações e propriedades fundamentais do conhecimento formal, matemática fundacional, ciência de dados, inteligência artificial e sistemas complexos. Atua nas áreas de Teoria da Informação, Teoria da Computação, Lógica Matemática, Sistemas Complexos e Epistemologia.

A atividade é aberta ao público.