Núcleo Interdisciplinar de Comunicação Sonora

O status paramorfológico dos motivos

Local: NICS – Rua da Reitoria, 165, UNICAMP 

Data: 12 de março (quinta-feira), 10h

Link para participação online: https://meet.google.com/wef-jzcd-ytv

Resumo:

Neste trabalho Alexandre Eisenberg investigou de forma sistemática o papel estrutural dos motivos na música ocidental, defendendo a tese de que, o motivo, é o único segmento musical que possui simultaneamente: estatuto morfológico e paramorfológico dentro da hierarquia formal de uma obra musical.

A sua proposta analítica propõe uma distinção conceitual rigorosa entre hierarquias reducionais e hierarquias morfológicas, criticando abordagens que privilegiam abstrações estruturais não perceptíveis, em detrimento dos fenômenos cognitivos efetivamente experimentados na escuta. A partir de uma ampla revisão crítica da literatura – incluindo Schenker, Schoenberg, Réti, Forte e abordagens cognitivas contemporâneas – o estudo demonstra que os motivos, ao concentrarem informação rítmica, melódica e paramétrica em sua forma mais condensada e ao reaparecerem de maneira não contígua ao longo da obra, desempenham função unificadora fundamental na construção da forma musical. O trabalho compreende análises “motívicas” detalhadas mostrando como a paramorfologia dos motivos opera como elemento central da coerência formal, oferecendo uma contribuição teórica original para estudos de análise musical, cognição e morfologia sonora.

A originalidade do trabalho não está em “descobrir” o motivo (isso já é clássico), mas em reformular teoricamente o estatuto do motivo dentro da análise musical, de maneira conceitualmente nova, sistemática e argumentada. O autor se concentra em quatro eixos centrais, que juntos configuram uma contribuição original.

Biografia:
Alexandre Jaques Eisenberg é pesquisador e musicólogo com atuação destacada na área de análise musical, teoria da forma e cognição musical. Realizou estágio de pós-doutorado na Universidade de Aveiro, onde desenvolveu pesquisa teórica aprofundada sobre o estatuto morfológico e paramorfológico dos motivos na música ocidental, propondo uma contribuição original aos estudos de forma musical e análise motívica. Sua produção acadêmica dialoga criticamente com tradições consolidadas da teoria musical – como Schenker, Schoenberg, Réti e abordagens cognitivas contemporâneas – e se caracteriza pelo rigor conceitual, pela articulação entre percepção, estrutura e memória musical, e pela defesa de modelos analíticos sensíveis à escuta e ao contexto composicional. Sua trajetória acadêmica o posiciona como pesquisador voltado à renovação crítica da análise musical no campo da musicologia teórica.https://meet.google.com/wef-jzcd-ytv